Autismo 2 - Autismo -  Uma visão integral

Autismo, ou Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sinais e sintomas, que acarreta alterações globais de desenvolvimento.

É de origem multifatorial – tem várias causas prováveis, e não se apresenta de uma única forma. E sim num amplo espectro de sintomas e apresentações, desde graus mais leves (podem se tornar adultos funcionais e compor a neurodiversidade), até graus mais severos com muita necessidade de ajuda.

Ao contrário do que se pensa, não é um transtorno psiquiátrico ou neurológico, mas sim um transtorno sistêmico com acometimento neurológico. Os Autismos causam déficits basicamente em 3 grandes áreas do desenvolvimento: a linguagem, a interação social e o comportamento. Para saber mais leia “Quais os sintomas de autismo”.

Mas existem muitos outros sintomas por trás dessas grandes áreas acometidas; existem questões sensoriais, imunológicas e inflamatórias a serem consideradas e que causam as chamadas comorbidades do autismo.

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Créditos: Tismoo 
Na América Latina, não existem dados estatísticos confiáveis sobre a prevalência de autismo. Mas segundo dados do Centro de Controle de Doenças e prevenção dos Estados Unidos, que são alguns dos mais confiáveis no mundo, em 2016, 1 em cada 54 nascimentos americanos foi diagnosticado com autismo aos 8 anos de idade.

No ano anterior, era 1 para cada 58 nascimentos. Sendo que em 2004, eram 1 para cada 166 nascimentos! Isso sugere fortemente que não são só questões genéticas envolvidas no aumento exponencial de casos.

De fato, ao fazermos testes específicos nos pacientes autistas, como os de metais pesados na urina, sangue ou cabelo, vemos a presença de metais neurotóxicos como mercúrio e alumínio em níveis elevados. Além de outras contaminações ambientais como pesticidas e xenobioticos. O que indica que o ambiente em que vivemos contribui para ligar genes relacionados aos autismos.

Outros testes funcionais revelam que grande parte desses pacientes apresentam alterações nos níveis de vitaminas, minerais e micronutrientes – geralmente, abaixo das doses ótimas, que quando suplementados, podem gerar melhora em funções antes deficitárias.

Foi observado que tais carências surgem devido a falhas nos processos de absorção e má digestão pelo intestino dos autistas. Na verdade, é bem comum alterações de microbiota intestinal – chamada de disbiose – e na permeabilidade do intestino, sendo daí o desencadeamento de parte das comorbidades dos autismos.

De fato, muitos autistas tem sintomas gastrointestinais como diarreia, constipação ou flatulência bem fétida, que estão relacionados a piora dos sintomas autísticos.

Autismo não é doença!

A Organização Mundial da Saúde não considera o autismo como doença e sim como um transtorno, assim, não possui cura, porém seus efeitos podem ser melhorados e tratados. Daí, a importância de se investigar comorbidades.

Ou seja, não basta apenas diagnosticar uma criança – ou adulto – como autista e encaminhá-lo às terapias: é preciso investigar e tratar tudo que estiver errado naquele organismo! E quanto antes isso for feito, melhor as chances de tornar aquela pessoa funcional e participante da sociedade!

Dra. Michele Freitas

Escrito por

Dra. Michele Freitas

Dra. Michele Freitas, pediatra com foco em medicina integrativa, mãe de três meninos dentro do espectro autista. Contato: @michelefreitas_ped (instagram) *Dra. Michele é nossa autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Mamãe Hero.