o fim da licença maternidade

Ontem estava conversando com uma amiga e ela me contou como foi deixar o filho pelas primeiras vezes na escola. O filho falou algumas vezes pra ela: “Mamãe, você me ama? Então, não me leva pra escolinha.” O coração dela partia, mas o filho já estava com 4 pra 5 anos e era hora de iniciar os estudos. Retornar para o trabalho, no fim da licença maternidade, também não é uma tarefa muito fácil para nós mães. A verdade é que queremos ficar no ninho protegendo e cuidando dos nossos filhotes para sempre.

Hoje a mulher tem direito por lei a 120 dias de licença maternidade, isso mesmo que o parto seja prematuro ou que a mulher seja afastada do trabalho antes do nascimento da criança. Nestes casos, quanto menor é o bebê e mais cedo é necessário o retorno para o trabalho, maior é a dificuldade no retorno para as atividades.

Mas, e se pudéssemos conciliar o trabalho remunerado e a maternidade num único ambiente? Eu resolvi fazer isso!

Quando tomar uma decisão?

Fui afastada do trabalho com 8 meses de gestação, após uma internação devido um problema no meu coração que teria que ser corrigido após o nascimento do meu filho. Com o afastamento antecipado, o fim da licença maternidade aconteceu quando meu filho tinha apenas 4 meses e meio de vida. Foi muito dolorido. No dia da visita para conhecer a creche eu já estava muito triste.

Meu trabalho era próximo e usei o direito de amamentação para não ter que fazer o desmame ou mandar mamadeiras congeladas. Lembro-me de uma vez que as funcionárias me falaram que se fosse necessário elas me ligariam para eu ir amamentar ele. Mas, numa ocasião cheguei lá atrasada, pois estava numa reunião e o meu bebê está cansado de tanto chorar de fome. Meu coração chorou junto por dentro.

Mas, eu não podia simplesmente largar o trabalho, pois precisava do plano de saúde para cuidar do meu problema de saúde, gostava muito do trabalho e o salário eram muito importantes pra minha família. Depois de 6 meses, de muitos planos, acordos e oração eu parei de trabalhar. Resolvi desenvolver meus talentos de casa e cuidar do meu filho.

Por que eu parei de trabalhar?

Parei, mas não é porque desejo ficar em casa chocando meu filho pra sempre. A verdade é que muitas vezes deixo ele brincando sozinho pra cuidar da casa ou de outros trabalhos. Mas, estou sempre por aqui e se ele chorar posso parar qualquer que seja a reunião e socorrer ele. Meu filho está crescendo, e vai chorar mais algumas centenas de vezes, vai ficar sozinho sem mim, vai pra faculdade, trabalhar e construir sua própria história e família. É pra isso que estou preparando ele.

Porém, parei de trabalhar porque o trabalho externo é muito importante na vida da mulher, mas nessa tarefa podemos ser substituídas por qualquer pessoa, mas não podemos ser substituídas no trabalho de ser mãe e cuidar dos nossos filhos. Esse é o trabalho mais importante que podemos ter.

Li num livro  uma citação das sábias palavras de Dorothy Patterson: “A verdade é que muitos empregos perfeitos podem ir e vir durante os anos de crescimento da criança, mas somente um realmente nunca voltará novamente – o trabalho de criar nossos próprios filhos“.

Meu esposo também me deu muita direção e apoio nessa decisão. Ele sempre dizia: “Você não está largando um trabalho importante pra cuidar do nosso filho. Ele é o trabalho importante!“.

Tome uma decisão e tenha paz!

Encorajo você mamãe que está próxima do fim da licença maternidade e tem sofrido com essa decisão. Se você puder ficar em casa e acreditar que o trabalho de cuidar do seu filho seja o mais importante, talvez você possa ficar em casa e desenvolver trabalhos ou empreender enquanto fica em casa, próxima do seu filho.

Você que precisa voltar ao trabalho, como eu também precisei. Não se culpe por isso e leve esse momento de forma leve. Seu filho vai ficar bem e você não ama menos ele por isso.

Que Deus nos ajude e dê sabedoria para tomar boas decisões na criação dos nosso filhos.

Amélia Ariel

Escrito por

Amélia Ariel

Amélia Ariel, mãe do Tito de 3 anos, formada em Publicidade pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. *Amélia é nossa autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Mamãe Hero.