Autismo diagnóstico

Autismo, ou Transtorno do Espectro Autista (TEA), é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sinais e sintomas, que acarreta alterações globais de desenvolvimento. Para saber mais sobre Autismo leia: O que é Autismo?

Sintomas do autismo

Infelizmente o estigma relacionado ao autismo dificulta o diagnóstico precoce, afetando, assim, o seu tratamento. Porém, o tratamento é essencial para desenvolver um maior nível de autonomia e independência possível para o autista. O transtorno acomete principalmente a interação social, linguagem e comportamento.

Os sintomas aparecem na primeira infância, porém, autistas em graus mais leves, como a síndrome de Asperger e os autismos de alto funcionamento terão mais dificuldade no diagnóstico, o que pode acontecer as vezes já na fase adulta.

Não é verdade que apenas pode se diagnosticar o autismo com 3 ou 4 anos. O ideal é que se suspeite ou faça esse diagnóstico ainda abaixo dos primeiros 2 anos de vida – os chamados “Mil Dias de Ouro”.

Nesse período há uma janela de oportunidade onde o neurodesenvolvimento e a neuroplasticidade podem, se manejados adequadamente, reduzir significativamente os sintomas e melhorar o prognóstico do pequeno paciente.

Autismo 3 300x300 - Quais os sintomas do autismo?

Interação social

Autistas possuem, em algum grau, dificuldade de interagir com outras pessoas. Por não entender o que os outros desejam ou as suas motivações, é comum que os autistas possuam dificuldade de interação social.

Além disso, podem possuir dificuldade de absorver estímulos externos como luz forte, ruídos altos, dentre outros. Um dos testes que são feitos em bebês com suspeitas de autismo é mover objetos lentamente para perceber se ele será capaz de seguir o objeto em movimento visualmente.

Há um imaginário de que o autista não possuirá interesse no próximo, não irá olhar nos olhos e evitará o contato. Contudo, há muitos autistas que possuem interesse social, porém a forma de o manifestar pode ser considerada inadequada para o meio.

Linguagem

O atraso na fala geralmente é o primeiro sinal observado pelos pais em bebês autistas. Alguns autistas possuem a capacidade de fala e outros não, além disso é comum que eles possuam dificuldade em se expressar ou uma linguagem pouco compreensível. Ou ainda uma fala estereotipada, repetitiva (chamada de ecolalias) ou fora do contexto.

Espera-se que com 1 ano, o bebê responda visualmente entre 70-80% das vezes em que é chamado, quando essa capacidade não é observada, pode ser um sinal de autismo.

Apesar de possuir o sistema auditivo funcionando corretamente, alguns autistas não conseguem filtrar os sons percebidos. Ele escuta o som da palavra “mesa”, por exemplo, mas não consegue filtrar e perceber que aquele som se refere ao objeto que se encontra em sua frente.

O contrário também ocorre, autistas que são muito sensíveis aos sons,  conseguem perceber o fundo musical de um filme, a buzina do carro do outro lado da rua.

 

Comportamento

Autistas clássicos possuem comportamento repetitivos ou de interesse mais restrito, algumas crianças autistas organizam carrinhos, colocando-os em fileira, separando objetos por cores, tamanhos ou então fixação por determinados assuntos e temas.

Alterações motoras, podem ser observadas, como uma marcha mais dura e alterações da atividade sensorial, como a hipersensibilidade a dor ou a não sensibilidade a dor. Nesse último caso, pode acontecer de crianças autistas machucarem colegas por não entenderem que aquilo irá doer, uma vez que não sentem tanta dor como os outros.

Ou ainda podem se machucar, batendo a cabeça na parede, por exemplo, pelos mais variados motivos; dor, autorregulação, chamar atenção… é importante ter a mente aberta e observar atentamente o ambiente e o que pode ter desencadeado o comportamento auto ou hétero-agressivo.

Como forma de autorregulação, crianças com o transtorno autista podem realizar movimentos repetitivos, chamados ESTEREOTIPIAS, como ficar rodando no seu próprio eixo sem parar, batendo as mãos ou inclinando o corpo, o chamado movimento pendular. É uma maneira de suportar os estímulos do ambiente.

Autismo 300x300 - Quais os sintomas do autismo?

Como é feito o diagnóstico de autismo?

O autismo é diagnosticado de forma clínica, ou seja, o profissional irá avaliar sem exame complementar (como ressonância e tomografia) o paciente. Geralmente, o diagnóstico é feito com base na observação e na história narrada pelo paciente ou seus familiares. Entenda também que as comorbidades precisam ser investigadas, e que sempre pode-se ter chance de melhora, mesmo se o diagnóstico for tardio.

O tempo é importante: suspeitar nos primeiros meses é possível, intervir precocemente é essencial pra uma melhora do quadro!
Existem vários instrumentos usados pelos profissionais para aplicar e detectar autismo, mas um deles pode também ser usado pelos pais para avaliar o antes e depois dos tratamentos de seu filho: chama-se ATEC (AVALIAÇÃO DE TRATAMENTOS DO AUTISMO).

Quanto maior o valor do score, maior o comprometimento dessa criança (principalmente se for uma criança maior). Acompanhe e informe seu médico sobre essa avaliação. Ele deve te ajudar a compreender e avaliar os resultados.

Caso o seu filho apresente algum desses sinais, é importante relatar ao pediatra, ou profissional com uma visão funcional do tratamento do autismo. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhores as chances de recuperação e autonomia da criança.

Fonte:

EUA tem novo número de prevalência de autismo: 1 para 54

Dra. Michele Freitas

Escrito por

Dra. Michele Freitas

Dra. Michele Freitas, pediatra com foco em medicina integrativa, mãe de três meninos dentro do espectro autista. Contato: @michelefreitas_ped (instagram) *Dra. Michele é nossa autora convidada e seus textos não refletem, necessariamente, a opinião do Mamãe Hero.